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High Park e West Bloor Village: O privilégio de quem mora e visita essa parte da cidade

Uma das áreas mais verdes de Toronto também possui algumas das melhores lojas e estabelecimentos. Conheça um pouco mais desse bairro, situado na parte oeste da cidade.

Feliz de quem mora perto de um parque. Principalmente em Toronto, que aos poucos está sendo transformada em um selva de pedra devido à construção de novos prédios. Segundo a Emporis (empresa de mineração de dados situada na Alemanha), no momento existem cerca de 148 arranhas-céus sendo construídos na cidade, um número superior a qualquer outro lugar da América do Norte.

É por isso que os residentes da zona oeste de Toronto parecem não ter do que reclamar. “Essa é a minha área de lazer. Costumo brincar que o High Park é o quintal da minha casa. É onde eu caminho todos os dias com o cachorro, levo meus filhos para brincar e às vezes medito sozinho”, diz o motorista de ônibus Eric Feldman, que reside em frente ao High Park.

Os residentes da área mais verde da cidade sabem do privilégio que têm, e o bairro terminou sendo popularmente conhecido como High Park, recebendo o mesmo nome do parque. “Tem gente que diz que mora na Bloor West, outros falam que residem na Swansea. Eu digo que moro no High Park. Acho mais chique”, diz bem humorada a economista Emily Pada, fazendo referência aos outros nomes pelo qual essa região de Toronto é conhecida.

Independente do nome, o bairro encanta os seus visitantes. Uma grande quantidade de excelentes restaurantes, lojas e confeitarias estão situadas na Bloor Street. Nos finais de semana, os lugares ficam lotados de turistas e moradores da cidade. Uma grande quantidade de imigrantes do Leste Europeu, principalmente ucranianos, residem no local e diversos deles possuem estabelecimentos comerciais na região, como açougues (alguns dos melhores da cidade) e docerias.

High Park tem trilhas, quadras esportivas e até zoológico

Todas as grandes cidades do mundo têm orgulho de seus parques. É assim com São Paulo e o Ibirapuera e Nova York e o Central Park, por exemplo. Em Toronto, o High Park tem motivos de sobra para encher de alegria os corações dos torontonianos.

Com aproximadamente 161 hectares, é o maior parque de Toronto (considerando que toda a sua extensão está situada dentro da cidade). Para chegar até ele, é muito fácil. Se for de carro, basta seguir a Bloor St. no sentido oeste (para quem vem de downtown). Quem é adepto do transporte público, é só pegar o metrô e descer da estação que leva o mesmo nome do parque.

O lugar é considerado um dos maiores centros recreativos de Toronto. Afinal de contas, são diversas trilhas, quadras de esportes, áreas designadas para piqueniques, restaurante, uma piscina pública que entrou na lista do OiCanadá como uma das melhores da cidade, e até um teatro ao ar livre. Do final de junho até o início de setembro, é apresentado o projeto Dream in High Park (Sonho no High Park em inglês), que exibe peças de Shakespeare. Uma das vantagens, além da experiência de assistir ao ar livre, é poder ver os atores nos bastidores, trocando de roupa e fazendo a maquiagem atrás do palco. Apesar de ser gratuito, é recomendável uma doação de $20 (sugerida pelo próprio grupo teatral).

O High Park é ideal para ser frequentado em todas as épocas do ano. No outono, as folhas mudam de cor, ganhando tons alaranjados, no verão o parque possui uma temperatura mais agradável comparada ao calor que faz na cidade durante essa estação, no inverno ele fica ainda mais bonito repleto de neve, sendo possível patinar em uma pista de gelo, e na primavera é quando as cerejeiras florescem. Essas árvores foram um presente do embaixador japonês ao Canadá, no final da década de 50, e são as responsáveis por atrair um grande número de fotógrafos profissionais e amadores que querem registrar a delicadeza de suas flores.

Há diversos jardins no parque, um deles é marcado por um canteiro em forma de uma folha de maple (o símbolo do Canadá). Fica bem próximo ao Grenadier Pond, um lago de 14.2 hectares com peixes, patos e cisnes.

Um outro ponto interessante no High Park é um pequeno zoológico com animais como ema, pavão, ovelha e bisonte. A atração está incluída na lista de cortes do governo municipal, e corre o risco de ser fechada em junho desse ano, fazendo com que a Prefeitura de Toronto economize em torno de $114 mil. Quando o OiCanadá visitou o local, se deparou com uma grande campanha para arrecadar fundos e salvar o zoológico. Cartazes no restaurante principal do parque, o Grenadier Cafe, pedem para que visitantes ajudem a manter a atração, assim como desenhos de animais feitos por crianças, presos em áreas específicas do zoológico.

A poucos passos do zoológico está o Jamie Bell Adventure Park, um castelo feito de madeira, construído em 1998 com a ajuda de voluntários, que levaram apenas 10 dias para finalizá-lo. A atração é perfeita para as crianças, que se divertem com os escorregadores da atração. Em março desse ano, houve um incêndio que destruiu a principal torre. “Meus filhos adoram o castelo e eu estou disposta a reconstruir toda a parte danificada junto com outros voluntários”, afirmou ao OiCanadá a professora Laura Polishchuk, uma frequentadora do High Park.

Quem possui cachorro tem mais um bom motivo para ir ao High Park. Existem áreas designadas, onde cães podem caminhar sem o uso da coleira. Quando o OiCanadá esteve no local, era grande a quantidade de cachorros de várias raças, que pareciam até curtir mais o parque do que seus donos.

O High Park foi um grande presente dado a Toronto pelo pintor e arquiteto britânico John Howard, que fez a doação de sua propriedade em 1973, com as condições de que fosse aberto gratuitamente ao público, proibição de venda de álcool nas imediações do parque e que ele pudesse continuar vivendo com sua esposa no local. Para saber mais, visite o post Faça um passeio no High Park.

Festivais de rua celebram a diversidade

Em julho, a Bloor West Village se transforma em uma grande celebração, em um festival de rua que inclui música europeia, gastronomia, palhaços, dança e diversas atrações para as crianças. O festival geralmente acontece na terceira semana do mês.

A cultura ucraniana é celebrada todos os anos nessa área de Toronto no mês de setembro, quando ocorre o Festival Anual Ucraniano, um dos principais da América do Norte. Milhares de pessoas participam do evento, que visa promover a arte de artistas da Ucrânia através da dança, música, filmes e artes visuais.

Já no final de outubro, as bruxas ficam soltas em um dos maiores eventos de Halloween da cidade para as crianças. As ruas Baresford, Armadale e Gendonwynne Rd se enchem de adultos e crianças, que participam de atividades como o enfeite de abóboras, pintura facial, músicos de rua e caça ao tesouro.

São muitas atrações no High Park e West Bloor Village. Por isso, ao visitar Toronto, é bom reservar um dia inteiro para conhecer essa parte da cidade. O OiCanadá esteve em vários desses estabelecimentos, e faz uma seleção do que há de melhor.

Onde comer

  • Yellow Griffin Pub (2202 Bloor St W)- Logo na entrada, um letreiro avisa: “Mais de 35 hamburgers para escolha”. Eles não estavam de brincadeira. Tem hamburger de carne bovina, carneiro, peru, salmão, frango… O cardápio nos chamou a atenção pela criatividade e bom humor na forma como descreve cada hamburger.
  • Bread & Roses Bakery Cafe (2232 Bloor St W)- Quando a gente entra nessa loja, o cheiro nos chama a atenção. É um aroma doce, de coisa boa, gostosa. Experimentamos os biscoitos feitos de gengibre. Uma delicia! Mas eles também servem sopas, sanduíches e outros quitutes deliciosos. Não é à toa que o lugar estava lotado, e segundo a atendente, a maioria eram clientes assíduos.
  • Amber European Restaurant (2372 Bloor St W)- Como o próprio nome diz, a especialidade aqui é a comida europeia. O lugar é pequeno, bastante simples, mas a comida é muito gostosa. Pelo menos, o pierogi que experimentamos. Sem dúvidas, um dos melhores da cidade.

Onde comprar

  • Trove (2264 Bloor St W)- Bolsas, sapatos, bijuterias, cintos e roupas fazem desse lugar um sucesso entre o público feminino. As vendedoras são extremamente simpáticas, sorridentes e fazem questão de ajudar.
  • Bloor Village Flowers (2208 Bloor Street W)- Além de deixar a Bloor West Village mais bonita e colorida com os vários tipos de flores que são colocados à mostra do lado de fora (bem no meio da calçada), esse lugar é uma das várias floriculturas que existem na região, mas destaca-se pela grande variedade.
  • Hot Oven Bakery (2226 Bloor St West)- A famosa “canadian pie” não é difícil de ser encontrada, mas alguns lugares de destacam pela excelente qualidade do produto. A Hot Oven Bakery é um deles. Não é à toa que ela faz parte da lista do OiCanadá das melhores tortas da cidade. Destaque para a de blueberry e apple crumble. Só de escrever esse parágrafo, me deu agua na boca.
  • Snappers Fish Market (263 Durie St)- Esse estabelecimento funciona como um açougue especializado em vender somente frutos do mar. Os produtos parecem realmente frescos e há inclusive um tanque com lagostas vivas. Mais fresco que isso, impossível.
  • Diaper-Eez (2309 Bloor Street W)- Nessa loja você encontra diversas roupas para recém-nascidos, mas o destaque são as fraldas. Tem de todas as cores e modelos. As atendentes se mostraram bastante prestativas.
  • Bloor Meat Market (2283 Bloor St W)- Esse é apenas um dos vários açougues do bairro. Mas o que nos chamou a atenção aqui foi a organização e variedade de carnes. É possível, por exemplo, comprar carne ao molho teriaki (já temperada e pronta para ser cozida), ou frango recheado (é so colocar no forno).
  • Max’s Market (2299 Bloor Street West)- Se eu morasse nessa área da cidade, eu compraria no Max’s Market todos os dias. Ele é como um paraíso para quem não sabe ou não gosta de cozinhar. Possui um balcão repleto de comidas prontas, com preços baixos e deliciosas. A variedade desses pratos é impressionante e até supera a de grandes supermercados como Loblaws, com vários tipos de saladas, massas e carnes.

Marcio Rollemberg é pernambucano e formado em jornalismo. Foi editor-chefe de um telejornal universitário, produziu documentários e trabalhou como repórter de TV no Brasil. Em 2005 mudou-se para Toronto e atualmente é um dos colaboradores de uma revista e de um canal de TV. Em 2011 juntou-se a equipe do OiCanadá, onde escreve matérias sobre Turismo e Variedades.

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