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A economia canadense pode estar crescendo, mas não para os imigrantes

De acordo com dados recentemente publicados, a economia canadense está se apresentando excepcionalmente bem no momento: cerca de 80 mil novos empregos – muitos deles em período integral – foram criados em novembro; O nível de desemprego é o mais baixo desta década; os salários médios para funcionários permanentes têm aumentado de forma constante; Além disso, o PIB do Canadá atingiu 3% e cresceu mais rápido em 2017 do que qualquer outro país do G7. Mas há um grupo em particular que não parece estar aproveitando os benefícios deste crescimento: os imigrantes.

A pesquisa do Censo publicada há algumas semanas pelo Statistics Canada revelou uma grande diferença de 16% entre o salário médio de um trabalhador nascido no Canadá e o salário médio de um imigrante.

A diferença é ainda maior em três das cidades canadenses mais populares entre os imigrantes. Em Toronto, um trabalhador imigrante ganha em média 25% menos do que um canadense, em Calgary a diferença é de 23% e em Vancouver 17%.

Esta tendência não é nova. Na verdade, esta característica tem sido incorporada no cenário econômico do Canadá por décadas.

Algumas análises divulgadas em outubro pela Conference Board of Canada mostraram que as pessoas que emigraram para o Canadá entre 1991 e 2014 obtiveram apenas 83% do salário canadense médio. E esta regra é consistente em todo o mercado de trabalho: os trabalhadores imigrantes altamente qualificados e os trabalhadores pouco qualificados sofrem de uma significativa desvantagem salarial quando comparados a seus colegas canadenses.

A explicação mais comum para a chamada “diferença salarial do imigrante” é o idioma. A evidência do censo sugere que os imigrantes que não falam inglês ou francês como primeira língua terão dificuldade de encontrar um trabalho permanente e bem remunerado comparado aos imigrantes que falam algum desses idiomas como língua materna.

Mas o idioma é apenas parte da história. Os empregadores canadenses tendem a avaliar as habilidades e a experiência em possíveis contratações com base no país de origem dos candidatos – trabalhadores imigrantes que não tenham nascido nos EUA ou na Europa enfrentam reduções significativas em termos de empregabilidade.

“A experiência obtida em um mercado de trabalho fora do Canadá, especialmente mercados não-europeus, é essencialmente avaliada em zero”, diz o professor David Green, que administra a Vancouver School of Economics na Universidade de British Columbia. “Suponha que você considere dois profissionais com o mesmo nível educacional, mas um tenha cinco anos de experiência e o outro tenha vinte. Se em ambos os casos tal experiência foi obtida no Paquistão, ambos recebem o mesmo salário”.

Isso reflete um padrão de discriminação mais amplo e bem documentado nas práticas de emprego canadenses.

Em 2013, o deputado liberal Ahmed Hussen exigiu uma política de “recrutamento cego” – literalmente removendo nomes de aplicações de emprego – para ser implementada no setor público canadense. Após a análise, confirmaram que pessoas oriundas de países de minorias étnicas constituíam apenas 14% da equipe de funcionários públicos, apesar de representarem cerca de 20% da população total do Canadá.

“É crucial que profissionais que possuam as notas, habilidades e determinação sejam bem-sucedidos no Canadá”, diz Ahmed, atual ministro federal da imigração. Uma versão piloto da política está em andamento em Ottawa.

A persistência das disparidades salariais dos imigrantes pode representar um desafio para a estratégia de crescimento a longo prazo do governo liberal. A população do Canadá está envelhecendo e Justin Trudeau planeja atrair mais de um milhão de novos imigrantes para o país entre este ano e 2020, pelo menos 60% dos quais farão parte da classe econômica.

Mas este crescimento pode ter dificuldades em se concretizar se os imigrantes, os quais agora representam 21,9% de todos os residentes canadenses, continuarem a ganhar muito abaixo comparado ao salário canadense médio.

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2 Comentários

2 Comments

  1. Bruno

    21/jan/2018 at 07:39

    Vejo isso diariamente aqui na região de South West, região com uma planta petroquímica gigantesca e todas a indústrias e empresas ao seu redor se beneficiam da mão de obra do imigrante mas sempre pagam menos ou simplesmente tem a política de não contratar.

  2. Claudio

    18/dez/2017 at 07:24

    Excelente artigo. A realidade exposta sem dourar a pílula. Num planejamento de imigração, um dos itens essenciais a ser colocado na balança. Parabéns por trabalharem com os dois lados da moeda.

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Cinthia Ferreira é professora de português/inglês/francês e tradutora brasileira, residindo atualmente em Toronto, Canadá. Tradutora formada pela Universidade de Toronto especializada em: Marketing, Business, Turismo, Tecnologia e Documentação para processos de imigração como: Certidões de Casamento, Certidões de Divórcio, Atestados de Antecedentes Criminais, Certidões de Óbito, Diplomas, Documentos de Identidade, Históricos Escolares, Extratos Bancários, Cartas de Recomendação, Currículos, entre outros, nos seguintes idiomas: Inglês, Português, Francês e Espanhol. Professora de Inglês e Português formada em Letras, com mais de 10 anos de experiência em: Cursos Regulares ou Intensivos, Preparação para Teste de Cidadania Canadense, Preparação para exames de proficiência como TOEFL/IELTS, Preparação para exames da imigração CELPIP, MELAB e CAEL, Business English, Conversação, Gramática e Vocabulário através de cursos presenciais ou aulas online.

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