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Três anos de espera na fila da imigração? Mínimo de 500 pontos?

Apesar de o Ministério da Imigração continuar recebendo novas candidaturas de trabalhadores considerados high skilled, o processamento destas solicitações está suspenso desde setembro de 2021. E o acúmulo agora é tão grande que há claros indícios de que a demora deverá crescer ainda mais este ano. Entenda o que está acontecendo.

A pandemia tornou complicada a chegada de novos imigrantes. O Canadá foi criativo e lançou o TR2PR, um programa para tornar residente permanente quem estava aqui de forma temporária fosse a estudo ou a trabalho. Em termos de pessoal, no entanto, o Ministério da Imigração não tinha a capacidade para continuar a processar as candidaturas de sempre e, ao mesmo tempo, lidar com o volume novo gerado pela introdução do TR2PR. Sem muito alarde, então, eles suspenderam a verificação da papelada dos high skilled em setembro do ano passado, mas continuaram a receber novas candidaturas.

O resultado dessa manobra foi um acúmulo de candidaturas. Estima-se que a fila de espera da categoria do FSW (Federal Skilled Workers) tenha hoje cerca de 76.000 pessoas. Na express entry pool, o problema se repete, com mais de 207.000 pessoas aguardando, e apenas as indicações feitas pelas províncias sendo tocadas adiante em ritmo normal.

Para complicar ainda mais a situação, o Ministério da imigração terá que lidar com o processo de assentamento de 40.000 refugiados do Afeganistão nos próximos meses. E tudo isso tem dado como favas contadas que será impossível atingir a meta de skilled workers proposta pelo próprio governo para esse ano e até mesmo para 2023. 

Tempo de espera

A meta oficial do governo é processar casos de FSW em apenas seis meses, mas na realidade o tempo tem sido de 20 meses. Agora, um memorando interno revelado através da lei de acesso à informação mostra que a expectativa é de que leve 36 meses para o processamento de uma candidatura desse tipo — seis vezes mais que a meta.

A revelação agitou a oposição ao governo, os representantes do empresariado e a comunidade de advogados e conselheiros que atuam na área de imigração. De um lado, há a preocupação com a crise de mão de obra que assola o país — segundo um estudo feito pelo Business Development Bank of Canada na segunda metade do ano passado, 55% das empresas sofrem hoje com o problema. Do outro lado, há a preocupação com os candidatos, que poderão ficar com a vida em suspenso por cerca de três anos, aguardando o processamento da papelada.

Oficialmente, o governo federal diz que vai dar conta do recado, e que já separou 85 milhões de dólares para fazer as coisas acontecerem. Reafirma ainda que a suspensão dos processamentos é temporária, mas não diz quando será encerrada. Agora em fevereiro, o parlamento volta à ativa, e o Ministério da Imigração terá que apresentar seu plano de trabalho para o ano. Resta ver, então, se vai trazer alguma novidade que tenha a capacidade de resolver o problema. 

Pontuação

O mesmo documento interno também fala da possibilidade do número de corte do FSW no sistema de pontuação que o Ministério adota para avaliar candidaturas chegar ao mínimo de 500 pontos, o que, na prática, habilitaria apenas pessoas jovens e muito qualificadas a passarem nesta categoria de imigração. 

Para saber mais

Fernanda é carioca, publicitária, co-fundadora e editora-chefe do OiCanadá. Imigrou para o Canadá no final de 2006 e se tornou cidadã canadense em 2011.

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