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Uma visão subjetiva da Universidade de Toronto

Recentemente foi divulgado um ranking da Times Higher Education, que classificou a University of Toronto como a 17ª melhor universidade do mundo. Os critérios de avaliação incluíam a quantidade de publicações acadêmicas, o número de PhDs formados pela universidade e o total de investimentos em pesquisa. Outro importante indicador media a transferência de conhecimento para fins práticos.

A posição da U. of T. entre as 20 melhores do mundo é motivo de bastante orgulho para os seus estudantes. Esse fato faz mesmo surgir uma sensação de privilégio em fazer parte dessa instituição. Porém, esses dados de pesquisa são apenas numéricos e não fornecem uma idéia de como é realmente ser um estudante da U of T. Para o leitor que tem curiosidade em saber um pouco mais, vou tentar oferecer uma visão subjetiva e pessoal do que significa ser um estudante nessa universidade.

Várias opções

Primeiramente, eu considero a Universidade de Toronto uma grande festa de atividades extracurriculares. É muito fácil ficar perdido em meio ao oceano de opções de coisas para fazer e esquecer que o primeiro objetivo é estudar. Vou dar alguns exemplos.

Para quem curte esportes, existem campeonatos de várias modalidades, desde lacrosse até futebol. Os intramurals são as ligas entre os colleges (as unidades administrativas da faculdade) e existem várias divisões para acomodar todos os níveis. O Tri-Campus é o nível mais alto de campeonatos amadores e envolve a disputa entre os três campus da universidade. Resumindo, existem várias alternativas divertidas e competitivas, tanto para o craque quanto para o “perna de pau”.

Para quem procura uma opção cultural, as associações estudantis como o OLAS (Organization of Latin American Students) e o EFUT (Étudiants Francophones de l’ Univeristé de Toronto), sempre organizam eventos de qualidade. Recentemente tenho ido bastante às movie nights. Além de assistir a filmes alternativos, você sempre acaba encontrando pessoas conhecidas e conhecendo pessoas novas. Esses eventos são, portanto, uma boa oportunidade para expandir o seu círculo social. Existem grupos estudantis de uma variedade de temas, como danças, línguas e culturas estrangeiras, pôquer, origami, entre muitos outros. É difícil não encontrar algo que atraia o seu interesse.

Outra fonte de distração para quem mora perto do campus é simplesmente o fato de que muitas pessoas não moram longe da universidade. Fica fácil juntar os amigos para ir a festas ou simplesmente jogar conversa fora. Freqüentemente esses encontros acontecem por acaso e acabam se estendendo por longos períodos.

Aulas e alunos

Vamos falar agora do que, teoricamente, é mais importante: as aulas! O sistema aqui é meio diferente do que estamos acostumados no Brasil. Pelo menos no meu programa, são poucas aulas e muitas leituras e trabalhos. Temos muita coisa para fazer em casa, ou seja, o sucesso nos cursos depende bastante da sua capacidade de se organizar bem. Aliás, esses espaços sem aula, que não necessariamente são tempo livre, também contribuem bastante para você ser absorvido no reino das distrações.

As aulas em si são como em qualquer lugar: poucas são excelentes, algumas são boas, outras médias e, sim, algumas péssimas. Não podemos nos deixar enganar pela 17ª posição mundial da universidade: aulas entediantes e professores chatos também estão presentes aqui.

Em relação ao nível dos alunos, acredito que não seja tão diferente de alunos de boas universidades brasileiras. Em todo lugar, sempre tem aquele mais inteligente, aquele mais dedicado, e aqueles outros mais relaxados e desempenhados. Os alunos, no geral, costumam respeitar o ambiente do aprendizado e o clima das aulas é bom.

Estar na University of Toronto é uma experiência única não apenas por ser a 17ª melhor do mundo. A principal vantagem de estar aqui é ter a oportunidade de conciliar estudos, cultura e lazer. Mas isso não é uma tarefa fácil. O sucesso da sua experiência universitária dependerá muito da sua capacidade de se concentrar e impor uma forte autodisciplina para estudar e fazer os trabalhos. O excesso de horas sem aulas é apenas uma ilusão.

Adam, 21, é estudante de filosofia e sociologia na Universidade de Toronto. Natural de São Bernardo do Campo (SP), Adam morou durante a infância e a adolescência na Suíca, na China, nos Estados Unidos e no Brasil. É co-fundador e co-presidente do grupo estudantil Brazilians United in Canada (BRAZUCA), cujo objetivo é difundir a cultura brasileira e integrá-la a outras culturas em sua universidade.

1 Comentário

1 Comentário

  1. S. B.

    23/jan/2012 at 00:27

    Gostaria de saber sobre as bolsas de estudo para estrangeiros. O que é necessário para obter ajudas financeiras?

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