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Canadá vive boom de vendas de produtos em parcelas

É pouco comum no Canadá fazer compras em prestações e isso muitas vezes pode representar um obstáculo, ou criar grandes dores de cabeça quando há imprevistos que culminam em gastos extras. Mas uma avalanche de fintechs tem chacoalhado o mercado a ponto de fazer mover um dos gigantes do universo dos cartões de crédito. Veja as novidades que estão tomando conta do setor e como aproveitar as oportunidades que estão surgindo.

Parcelar compras já foi uma modalidade popular com o comércio do país. O método entrou na vida das pessoas por aqui na década de 1920, mas foi aos pouquinhos desaparecendo do cardápio das lojas até chegar ao ponto em que virou raridade, sendo praticado apenas por grandes lojas mediante o uso de um cartão de crédito de marca própria ou tomando a forma de leasing em alguns setores, em especial o de computadores.

Mais recentemente, no entanto, animadas com o volume gigantesco de compras via internet provocado pela pandemia, várias fintechs invadiram o cenário oferecendo pagamentos em parcela para compras online com juros baixos ou até mesmo iguais a zero, além de certa flexibilidade no número de prestações. Isso acontece porque as lojas pagam uma taxa extra para a empresa parceladora, recebendo em contrapartida o pagamento total de forma rápida e integral, além de registrarem, em média, um crescimento de 25% no total de gastos pelos consumidores que, incentivados pelo parcelamento, compram mais itens ou partem para produtos mais caros.

Marcas e produtos disponíveis

A lista de players neste mercado, além de grande, não para de crescer, já contando com nomes como Afterpay, PayBright, Sezzle, Klarna, Zip, Splitit, Affirm, Shop Pay e Uplift — esta última especializada em turismo e que inclui a AirCanada como parceiro. Do mesmo modo, o rol de parceiros das várias fintechs também é extenso e diversificado, compreendendo uma multitude de lojas de roupas, sapatos, acessórios, maquiagem, além de colchões, móveis e objetos de decoração. Dentre as principais marcas, o consumidor encontra a Bed Bath and Beyond, Roots, Aldo, SoftMoc, The Bay, Samsung, Lululemon, Dyson, Urban Outfitters, Sephora, Wayfair, Sail e The Source — e há rumores de que até a Apple vai entrar já-já na dança.

Alguns desses novos serviços oferecem também produtos ligados ao mundo automotivo, como pneus, por exemplo, e ainda há lojas vendendo material esportivo, incluindo bicicletas, assim como estabelecimentos dedicados a produtos eletrônicos. Isso sem falar em pelo menos uma empresa especializada em inseminação artificial. Mas o que parece ainda não ter muitas opções é para o caso de aquisição de aparelhos como fogão, geladeira, freezer e coisas do gênero. 

A forma de operação de cada uma dessas empresas varia. Umas exigem o download de um app, há aquelas que fazem uma rápida checagem para pré-qualificar os usuários e também existem marcas que exigem apenas que o consumidor associe uma conta de banco ou um número de cartão de crédito ou débito para poder começar a fazer suas compras.

Reação dos players tradicionais

De olho na movimentação das fintechs e do rápido crescimento no setor, marcas tradicionais do mundo das compras também lançaram novidades. O American Express passou a dividir em 3, 6 ou 12 meses as compras entre CAD $250 a CAD $10.000 de acordo com o gosto do freguês e sempre sem juros com o seu programa Pay Your Way. E está chegando ao mercado o Visa Installments que deve estar disponível primeiro com os bancos CIBC e ScotiaBank, mas com desejo de se alastrar por outras instituições financeiras o mais depressa possível.

Só não vale confundir estes novos produtos com o parcelamento que certos bancos oferecem em cima do saldo devedor do cartão de crédito que, apesar de ser uma melhor opção que o pagamento do mínimo do extrato mensal do cartão, ainda tem juros. Esse é o caso, por exemplo do Pay It do CIBC, que cobra cerca de 6 a 8% de juros dependendo do plano de parcelamento ou do Plan It do American Express, que tem uma taxa mensal de 0.90% do principal.

Lição prática

De toda a maneira, o que o consumidor percebe nestes novos tempos é que é preciso pesquisar as ofertas existentes tanto para a compra parcelada quanto para a liquidação de uma maneira mais suave de qualquer dívida que se tenha em cartão de crédito. E sempre com muita atenção, porque as condições das ofertas podem mudar muito de província para província, podendo até não estarem disponíveis para certo endereços, como acontece muitas vezes com os residentes do Québec. 

Para saber mais, visite o site Rates, em inglês.

Fernanda é carioca, publicitária, co-fundadora e editora-chefe do OiCanadá. Imigrou para o Canadá no final de 2006 e se tornou cidadã canadense em 2011.

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