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Projeto quer exigir de novos cidadãos mais fluência em um dos idiomas oficiais do Canadá

O projeto de um novo regulamento lançado recentemente pelo governo federal do Canadá deve tornar mais rigorosa a exigência na fluência de um dos idiomas oficiais do país para imigrantes que querem se tornar cidadãos. Caso seja aprovada, a nova medida deve atingir cerca de 134 mil aplicantes por ano.

O governo federal do Canadá quer ter a certeza de que qualquer imigrante que aplique para se tornar cidadão do país, e tenha entre 18 e 54 anos de idade, tenha fluência em inglês ou francês, as duas línguas oficiais do país.

Em uma nota enviada à imprensa no final da semana passada, o ministro da imigração Jason Kenney afirmou que se comunicar em um dos idiomas oficiais do Canadá é a chave para o sucesso de novos cidadãos. “Essa mudança irá fazer com que aplicantes tenham a certeza de que falam inglês ou francês ao entrarem com o pedido de cidadania, além de beneficiar a integridade e eficácia do programa para o Canadá e os novos canadenses”, disse o comunicado.

No momento, quem aplica para o processo para se tornar cidadão canadense demonstra o conhecimento da língua inglesa ou francesa em uma pequena entrevista feita com agentes de imigração e no teste de múltipla escolha sobre conhecimentos gerais do Canadá. Segundo oficiais federais, essa medida não é suficiente para comprovar a habilidade do imigrante em falar e entender o idioma.

Como fica caso a lei seja aprovada

Se as novas regras forem aprovadas, o imigrante deverá demonstrar o conhecimento em um dos idiomas canadenses quando der entrada no processo, antes de fazer o teste sobre conhecimentos gerais do país e ser qualificado para receber a cidadania.

A apresentação de um dos seguintes requisitos deverá ser anexada ao processo:

  • exame de inglês ou francês reconhecido pelo governo federal,
  • comprovante de educação secundária ou pós-secundária no Canadá
  • ou certificado de um curso de línguas registrado pelo Ministério de Imigração e Cidadania.

O LINC (Language Instruction for Newcomers to Canada) é um dos cursos que devem ser aceitos pelo governo federal como prova de fluência no idioma. Em Toronto, ele é oferecido pelo Toronto District School Board e pelo Toronto Catholic School District Board.

Os aplicantes que submeteram anteriormente algum certificado de proficiência da língua no processo de imigração, como o IELTS por exemplo, não precisarão demonstrar novamente o conhecimento do idioma.

Dominar a língua é bom para o próprio imigrante

O garçom grego Leandros Papadakis imigrou para o Canadá em 1999 e quatro anos depois se tornou cidadão canadense. Quando chegou em Toronto, ele já falava inglês, mas pôde aperfeiçoar o idioma conversando com seus clientes e novos amigos. “Eu acho correto exigirem o domínio do idioma. Como você vai integarir com a cultura canadense se não fala a língua? Se é para ser cidadão, então que abrace o país como um todo, e a língua faz parte disso”, disse ele ao OiCanadá. “A tia de uma amigo meu mora aqui há vários anos e não fala a língua, porque é beneficiada pela comunidade grega. Mas se ela precisar resolver algum assunto na prefeitura, por exemplo, vai precisar de um intéprete. Grande cidadã ela é”, completa ele em tom de ironia.

A consultora de imigração da Canadian Legal and Immigration Services Márcia Casado acredita que se esse regulamento for aprovado, deverá beneficiar o próprio imigrante. “O governo federal tem como prioridade fazer com que o imigrante se integre na sociedade canadense. Com a aprovação dessas regras, a pessoa vai ser obrigada a falar o idioma se quiser se tornar um cidadão, e isso a longo prazo vai ser um grande benefício. O domínio da língua vai abrir novos horizontes e proporcionar excelentes oportunidades no Canadá”, completou ela.

Segundo uma pesquisa realizada pelo governo federal, mesmo depois de quatro anos vivendo no Canadá, a falta de domínio no idioma é um dos grandes obstáculos vividos por imigrantes na hora de conseguir um bom emprego. A população tem até 30 dias para se manifestar com relação ao projeto através de carta que deve ser endereçada para Mary-Ann Hubers, Citrizenship Legislation an Program Policy, Citizenship and Immigration Canada, 180 Kent Street, 6th floor, Ottawa, ON, K1A 1L1.

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Marcio Rollemberg é pernambucano e formado em jornalismo. Foi editor-chefe de um telejornal universitário, produziu documentários e trabalhou como repórter de TV no Brasil. Em 2005 mudou-se para Toronto e atualmente é um dos colaboradores de uma revista e de um canal de TV. Em 2011 juntou-se a equipe do OiCanadá, onde escreve matérias sobre Turismo e Variedades.

4 Comentários

4 Comments

  1. Lucas Ferreira

    04/Maio/2012 at 12:49

    Quando dizem caro, de que faixa de preço estão falando?
    Estou interessado em me mudar pro Canadá e pretendo me tornar cidadão canadense.

  2. William Barbosa

    15/jan/2012 at 15:22

    Vocês estão certo, eu estou no 2º ano do TOEIC (Test of Engish for International Communication) esse é certificado caro, muito caro, e longo, muito longo,a pessoa fica mais de 04 anos estudando o idioma no Brasil, porém não significa que a mesma saiba o Idioma completamente, se a nossa línga materna já demorarmos para aprender, imagino outro idioma, completamente diferente do nosso, eu acho que eles tem que analizar melhor, pois em 02 anos quando acabar a faculdade, quero me mudar para Toronto ou Calgary.

  3. Lu

    19/out/2011 at 16:48

    Acho uma excelente iniciativa! O mínimo que pode se pedir de alguém que quer ser cidadão é saber usar uma das línguas oficiais do país.

    Só esperam que tenham opções de testes não muito caros, pois o IELTS é caríssimo.

    • Nay Sartorato

      13/dez/2011 at 17:27

      pois é lu, todos são muito caros! e super difíceis, e eu estive em montreal em julho para aprimorar meu francês e me adaptar ao sotaque do quebec, estou a três estudando francês na aliança e eu pude perceber que não importa o quanto eu estude nunca serei boa o suficiente quando chegar ao país, a gnt só aprender vivendo aquilo, não se matando em saber os tempos verbais do francês. achei a lei um absurdo! um imigrante não vai embora de seu país pq tem dinheiro sobrando para gastar em testes, mas sim para refazer sua vida e tentar dar uma qualidade melhor a ela. eu, que IA dar entrada em janeiro, pois me formei na universidade essa semana, terei de esperar mais uns meses até próximo delf ou tcfq sair, e SE eu passar poderei dar entrada junto com meu marido.

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