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Sanguessugas para má circulação, pílulas de cafeína para insônia: histórias do incrível Niagara Apothecary Museum

Todos que vão visitar as Cataratas de Niagara, de longe a mais importante atração turística do Ontário, deveriam aproveitar para dar uma parada em Niagara-on-the-Lake. A cidade é um encanto em qualquer época do ano, com muitas lojinhas charmosas, construções históricas e os famosos vinhos da região. Mas há um motivo a mais para passar por lá no verão: é quando o interessantíssimo Niagara Apothecary Museum está aberto aos visitantes todos os dias da semana. Nas outras estações, o museu ou está fechado ou só abre no fim de semana. E é com certeza uma pena ir até lá e não ver essa preciosidade.

O museu é a minuciosa restauração de uma farmácia que funcionou de 1820 a 1964 sob o comando de seis diferentes farmacêuticos. O estabelecimento mudou-se em 1869 para o prédio atual, que fica no número 5 da Queen Street, a rua principal de Niagara-on-the-Lake. Mas boa parte dos objetos expostos foram importados da Inglaterra bem antes disso por James Harvey, o proprietário entre 1833 e 1851. Entre eles estão frascos e garrafas que imediatamente chamam a nossa atenção nas prateleiras que ocupam todo o lado direito da antiga drogaria.

Objetos assim têm sido reproduzidos por toda parte para decoração de interiores, e quem gosta do estilo vintage vai ficar sonhando em ter um desses no banheiro de casa para guardar cotonetes e bolinhas de algodão. Pois bem, esta é a oportunidade de ver essas maravilhas do design na sua função original, que era de conter os componentes dos remédios. Naquela época, praticamente tudo tinha que ser manipulado na hora pelo farmacêutico e seus aprendizes. Para identificar os ácidos, óleos, soluções alcoólicas e uma infinidade de produtos químicos, quase sempre trazidos da Europa, eram usados rótulos em latim, então considerado internacionalmente a língua de referência entre os profissionais de saúde.

Tudo na farmácia é elegante e rigorosamente fiel ao aspecto original. O bonito móvel de madeira no centro é o dispensário, onde os medicamentos eram preparados. A parte de trás é uma compacta mesa de trabalho. Os frascos cheios de líquido colorido que aparecem junto às vitrines não são apenas decorativos. Eram uma espécie de neon dos velhos tempos. Serviam para chamar a atenção da população de que ali eram vendidos tônicos, xaropes, pós e pílulas para aplacar todos os tipos de males.

A grande curiosidade do museu está no acervo de embalagens de remédio antigas. Vale a pena ler as descrições. Quase todos prometem milagres como purificar o sangue, parar a queda de cabelos, curar dores “internas e externas”. A caixinha de pílulas de cafeína descreve a substância como “incomparável” para o tratamento de dor de cabeça, dor ciática, reumatismo, resfriados e… insônia! Não dá para perder também a “jarra de sanguessugas”, que costumava conter, exatamente, sanguessugas vivas, um produto farmacêutico muito procurado no século XIX. Os bichos eram aplicados na pele do doente para melhorar a circulação sanguínea.

Como todo museu, o Niagara Aphotecary Museum é uma viagem no tempo, mas o que o faz tão interessante é que ele não trata de guerras, reinos distantes e obras-primas de grandes mestres. O que vemos aqui são artefatos que se relacionam diretamente com o nosso dia-a-dia. É fascinante ver como um único espaço é capaz de mostrar a evolução do tratamento das doenças e as transformações na maneira como os remédios vêm sendo produzidos e comercializados nos últimos 200 anos. Quem tiver dúvidas sobre a coleção pode conversar com os voluntários que estão à disposição dos visitantes. Todos são farmacêuticos aposentados e têm muita informação para compartilhar. O site do museu é igualmente revelador, com fotos antigas, histórias incríveis e detalhes sobre a restauração do prédio. Merece uma visita.

O Niagara Apothecary Museum está aberto todos os dias de 12pm às 6pm, do Dia das Mães (segundo domingo de maio) até o Labor Day (começo de setembro). Do Labor Day até o Thanksgiving (segunda segunda-feira de outubro) só abre nos fins de semana, também de 12pm às 6pm. No inverno o museu fica fechado. Não é preciso pagar ingresso, mas pede-se uma doação na entrada de 2 dólares por adulto.

Patricia Almeida nasceu em Curitiba e começou a carreira de jornalista na TV Paraense, emissora filiada à Rede Globo, na capital paranense. Depois mudou-se para São Paulo, onde foi coordenadora de produção do Jornal Hoje, editora-executiva do SPTV e editora de texto do programa “Mais Você”, também na Rede Globo. Foi ainda produtora de documentários da Rede SescSenac. Veio para o Canadá em 2003 e durante 8 anos foi produtora de programas em língua portuguesa da OMNI TV. Além de colaborar escrevendo para o OiCanadá, é também responsável por manter o Instagram do blog atualizado com belas fotos.

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