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Como fazer amigos e espantar a solidão no Canadá

Um dos maiores desafios que a mudança de país traz é a perda da nossa rede de apoio, da presença de amigos e do pessoal da família. E quando a gente soma a isso a falta de um denominador comum cultural, a coisa pode ficar difícil. Mas dá para combater tudo isso lançando mão de alguns truques…

O caminho mais comum é sair correndo para encontrar outros brasileiros e isso é mesmo muito útil e prático. No meio de outros brazucas, a gente se sente mais seguro e validado. Mas é preciso quebrar a bolha e estabelecer relacionamentos com pessoas de outros backgrounds.

Nesta etapa, mais uma vez, o mais comum é que a gente se ligue a outros imigrantes, aproveitando de novo o que temos em comum e que em geral, é aquela estranha sensação de não pertencimento. E isto também é ótimo: soma e nos faz sentir mais à vontade no nosso novo contexto, além de nos ajudar a começar a sair da casquinha do nosso ovo. E aí é hora de tentar mergulhar mais a fundo no universo de quem nasceu ou cresceu aqui. Mas como fazer isso?

A melhor maneira de estabelecer ligações com os “nativos” é participar de coisas bem canadenses. De um modo geral, por exemplo, ir jogar futebol com uns caras não vai inserir ninguém no mundo dos canadianos. E é aí que entra a procura de entidades, grupos, associações e clubes que podem abrir estas portas para você. E nós listamos aqui alguns exemplos de organizações que podem funcionar exatamente assim para o seu caso.

  • Cantar em coral é uma grande tradição canadense. E, apesar de muitas vezes estar ligada à religião, também é possível achar corais que estão ali só pela música e nada mais. No Québec você tem uma associação com um número praticamente sem fim de corais para você escolher de acordo com o seu endereço, língua, idade, interesse, dia livre pra ensaiar e tudo mais. Em Ontário há um site semelhante — e pra quem quiser uma coisa que seja mais farra que técnica, existe ainda o Choir! Choir! Choir, que se encontrava na era pré-COVID toda terça à noite em Toronto para uma catártica experiência de cantoria rimada com diversão, e que deve em breve retomar suas atividades.
  • Cole num book club! Praticamente toda biblioteca do país tem alguma coisa assim e é ótimo porque além de ler você vai ter a oportunidade de encontrar a mesma turma de pessoas com regularidade num ambiente feito para as pessoas revelarem o que gostam, como pensam, o que lhes interessa. Na TPL (Toronto Public Library), a lista de possibilidades é enorme, cobrindo quadrinhos, horror, distopia, romance… E se você não encontrar nenhum perto da sua casa, pense em começar o seu próprio book club. Na mesma fantástica rede de bibliotecas públicas de TO eles disponibilizam conjuntos de livros para esse fim. 
  • Plantar flores, jardins e hortas é outra obsessão canadense e em toda parte existem clubes informais e até canteiros em áreas coletivas. Em Montreal, a coisa toda pode ser conferida facilmente neste site aqui e em Toronto é bem aqui — lembrando que tudo é replicado em maior ou menor escala pelo país afora.
  • Se você se encaixa em algum nicho minoritário, bate aquele Google esperto para encontrar coisas que acontecem dentro desse universo. Por exemplo, em Toronto, há um grupo tradicional de atividades LGBTQ que agita de tudo um pouco: dá pra aprender a jogar Mah-Jong, cozinhar em turma, esquiar, jogar golfe, praticar a língua no tabuleiro do Scrabble ou simplesmente encontrar pra outra mania canadense: o potluck (um encontro onde cada um traz um prato de comida a ser compartilhado).
  • Dê uma conferida de tempos em tempos em sites tipo Meet-up, Eventbrite, ou nas páginas oficiais e não oficiais da sua cidade ou bairro no Facebook (veja Grupos também) porque há sempre coisas interessantes acontecendo aí bem pertinho de você.

O mais importante é saber que o canadense é super amigável e que se você conseguir quebrar aquele gelo inicial vai dar pra conquistar amigos pra vida inteira, do tipo que faz sopa e deixa na sua porta quando você está gripado, que ajuda a consertar um encanamento problemático e que desvenda os mistérios da neve e do frio para você com prazer e muito carinho. 

Fernanda é carioca, publicitária, co-fundadora e editora-chefe do OiCanadá. Imigrou para o Canadá no final de 2006 e se tornou cidadã canadense em 2011.

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