Siga-nos

OiCanadá

Cultura

O jeitinho brasileiro no Canadá

Como você explicaria a um canadense o significado de “jeitinho brasileiro”? Por mais difícil que seja articular uma definição, este tipo de comportamento faz parte do nosso dia-a-dia e nós o conhecemos bem. Para o brasileiro adepto do jeitinho, não há problema que não tenha solução: o estacionamento é só para mensalistas? Dê um trocado para o frentista. Levou multa de velocidade? Pague um “café” para o policial. É demorada a renovação de um documento? Invoque o nome de uma autoridade para o atendente do Detran. Funciona como passe de mágica.

Estação do GoTrain - foto: http://www.flickr.com/photos/pinkmoose/

Há algum tempo que venho pensando sobre o fenômeno antropológico que é o jeitinho brasileiro, e ao observar o comportamento de alguns conterrâneos que passaram o verão aqui em Toronto, pude chegar às conclusões que divido com vocês agora. Mas antes de mais nada, quero deixar claro que o famoso jeitinho, na verdade, não tem nacionalidade específica e existe em qualquer sociedade cujo quadro sócio-político coage pelo menos parte da população. Ainda assim, tomarei a liberdade de discutir o que aprendi sobre o jeitinho brasileiro aqui no Canadá. E não se preocupe, a conclusão desse post não será que não existe jeitinho no Canadá, tampouco que a versão canadense do jeitinho é zelar pela honestidade ou algo assim, como diria o estrangeiro que sustenta um olhar romântico.

Não é difícil imaginar as condições que deram origem ao jeitinho. Quando parte da população se sente incapacitada pelo status quo, ela procura maneiras alternativas de conseguir aquilo de que necessita, ou seja, ela dá um jeitinho. Não é à toa então que isso seja comum num país com tamanha desigualdade social como o Brasil. No entanto, hoje em dia o jeitinho não é mais um modo de agir exclusivo dos oprimidos, e se tornou parte do cotidiano de qualquer brasileiro que procura levar vantagem em alguma situação. De acordo com o jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto, “jeitinho brasileiro” é uma “vertente simpática da corrupção e do apadrinhamento”. Ainda assim, muitos consideram o jeitinho uma verdadeira virtude do brasileiro, que demonstra criatividade e improvisação ao driblar normas e convenções sociais para encontrar alguma solução. Ao resolver um problema, no entanto, o jeitinho sempre cria outro, e muitas vezes, o problema a ser resolvido é, ironicamente, fruto da generalização do próprio jeitinho.

O seguinte exemplo nos diz um pouco mais sobre a natureza do “jeitinho”. Trata-se de um casal de amigos que, durante sua viagem por Toronto, decidiu conhecer o Canada’s Wonderland, o maior parque de diversões do Canadá. Há três tipos de ingresso para o parque: regular single day pass – que custa em torno de C$30 e é válido por um só dia; pay one, visit twice pass – que custa em torno de C$40 e é válido por duas visitas; e season pass – que custa em torno de C$80 e é válido por um número indeterminado de visitas durante toda uma temporada. Claro, ambos os pay one, visit twice pass e season pass são válidos apenas para uma pessoa e, portanto, seus portadores não podem emprestar os ingressos para que terceiros possam ir ao parque. Ou pelo menos é isso que eles pensam!

Embora o season pass seja um cartão que inclui nome e foto do portador além de outras informações, o pay one, visit twice pass nada mais é do que um papel que sequer contém o nome da pessoa. Isso permite que este ingresso seja facilmente usado de forma irregular, assim como foi pelos meus amigos que, afim de economizar um trocado, planejaram dividir um pay one, visit twice pass com um outro casal de brasileiros. A ideia, segundo eles, era genial. Um casal compraria dois ingressos de C$40 cada que seriam válidos por duas visitas. Depois de ir ao parque, os dois venderiam os ingressos para o outro casal pela metade do preço. No fim das contas, cada casal economizaria um total de C$20. Mas às custas de quem? O problema é que onde há vantagem, há sempre desvantagem. Neste caso, a maioria diria que foi o parque de diversões que foi desavantajado porque foi ele que arcou com o prejuízo. Mas será mesmo?

O parque, como toda instituição capitalista, visa sempre a repassar o prejuízo àquele que causa o prejuízo. Se os usuários estão fraudando o pay one, visit twice pass, o parque eventualmente aumentará o preço do ingresso ou, pior, o eliminará de vez. O prejuízo assumido pela sociedade – que terá de pagar toda vez que visitar o parque – é, portanto, incomparavelmente maior do que o “lucro” individual de C$10 da pessoa que deu um jeitinho. Coloco “lucro” entre aspas pois, por fazer parte da sociedade, essa pessoa também perde mais do que ganha. Quando esse indivíduo quiser ir ao parque duas vezes ao invés de uma, ele não poderá contar com o pay one, visit twice pass de C$40, já que ele fraudou este serviço e causou prejuízo ao parque. Ele terá de comprar dois regular single day passes por C$30 cada, terá de enfrentar por duas vezes as filas, e assim por diante. Desta forma, podemos observar que com o jeitinho brasileiro, ninguém ganha e todos perdem.

Ao retornar do parque, o casal não poupou elogios, dizendo que era imenso, divertido, e acima de tudo organizado. Elogiaram também o fato de que com o pay one, visit twice pass, uma segunda visita ao parque se torna viável, algo que eles definitivamente fariam se morassem por aqui. Explicaram que no Brasil, eles não costumam ir muito a parques de diversões, já que o preço do ingresso é relativamente caro. “Até nisso o Brasil é atrasado”, disseram. “Por que não temos ingressos promocionais como se tem por aqui?” Ironicamente, a resposta para essa pergunta está na conduta do próprio casal, que com um jeitinho, tirou proveito do sistema que aqui existe. Eles mesmos são os culpados pelo fato de que não há tais ingressos promocionais nos parques brasileiros.

Uma segunda observação, desta vez sobre o Go Transit, sistema de transporte público inter-regional de Ontário, resume bem toda essa história. Um outro casal de brasileiros que também passava o verão em Toronto, não poupou elogios aos trens da empresa, que eram espaçosos, confortáveis, pontuais e práticos. Elogiaram especialmente a ausência de catracas nas estações e sua praticidade. Naturalmente, os dois passaram então a criticar duramente o transporte público no Brasil. Riram ao imaginar como seria a ausência de catracas nas estações. Dos ônibus, trens e metrôs as críticas foram rapidamente direcionadas aos pobres sem instrução e aos governantes do país, afinal, eles certamente são os culpados pela decadente infraestrutura nacional. Mas será mesmo?

O casal então me perguntou como funcionava a compra de passagens para o Go Transit, já que não havia catracas. Fiquei surpreso – pois eles pareciam usar o sistema com certa frequência – e o que o casal revelou em seguida, nos leva às mesmas conclusões do exemplo anterior. Explicaram que, na verdade, eles só usavam o Go Train uma ou duas vezes por semana, e que portanto, não sentiam necessidade de pagar passagem, já que o sistema era obviamente rico e suas passagens não fariam falta. Ao ver meu espanto, tentaram defender sua atitude, dizendo que diferente de mim eles eram meros turistas, e que portanto não deveriam ter que sustentar o sistema público daqui. Esse último argumento eu também não entendi.

Ironicamente, a situação precária do transporte público no Brasil que o casal tanto difamou pode ser atribuído, pelo menos parcialmente, ao comportamento do próprio casal. Isso porque eles mostraram que na ausência de catracas, eles não pagariam a condução, provavelmente tendo como justificativa o aperto, o desconforto e o atraso dos trens. Argumentariam também que pagam impostos e que todo mundo faz. Mas o prejuízo causado pela generalização deste comportamento privaria a sociedade de verba que, presumidamente, seria usada para a melhoria do próprio transporte. Mais uma vez, podemos ver que com o jeitinho brasileiro, até quem ganha perde. Portanto, ao rir de como seria a ausência de catracas nas estações do Brasil, o casal não ria dos mais pobres nem dos governantes como imaginavam. Eles riam deles mesmos.

O maior problema deste comportamento é que ele parece ser inerente à nossa sociedade. De ferramenta usada por uma minoria para obter o necessário para sobreviver, o jeitinho se tornou norma de convivência na sociedade. As premissas que garantem a popularidade do jeitinho é que todos procuram levar vantagem em tudo que fazem no seu dia-a-dia, e que portanto, para não ser trapaciado, deve-se fazer o mesmo. Em uma espécie de círculo vicioso, o indivíduo procura sempre fazer algo da maneira que seja mais vantajosa a ele sem consideração à sua própria sociedade. O ator age sem compreender as reais consequências de suas ações e não percebe que faz parte daquilo que considera ser problema. Esta é, inclusive, a melhor forma de descrever o jeitinho brasileiro. É um modo de agir irônico, contraditório e confuso, mas que pode ser eliminado com um pouco de reflexão.

Apesar de ser predominante em sociedades onde triunfam as nulidades, a desonra e a injustiça – como dizia Ruy Barbosa – países desenvolvidos como o Canadá não estão imunes à proliferação do jeitinho. Basta que parte da população destes países se sinta coagida e injustiçada pelo restante para que eles também escolham agir desta forma. No caso do Canadá, o governo precisa garantir que imigrantes tenham o mesmo tratamento e as mesmas possibilidades que os demais, se não, eles encontrarão alternativas para alcançar suas metas, dando início ao círculo vicioso. Com o tempo, as diversas características que fazem do Canadá um país atraente para se viver seriam tiradas da sociedade não por governantes corruptos, capitalistas ou criminosos, mas pela própria sociedade.

34 Comentários

34 Comments

  1. Anna

    16/jun/2014 at 9:48 PM

    excelente texto! fico muito feliz ao perceber que felizmente muitos brasileiros, assim como eu, reconhecem o verdadeiro porquê da nossa realidade social. de fato A CULPA é nossa. talvez nao minha, ou tua, mas do povo ao qual fazemos parte. nada é por acaso, nenhum país atinge determinado nivel de qualidade por mera coincidencia! é o “tirar vantagem”, hoje ja impregnado na cultura brasileira, que nao permite que o Brasil se desenvolva tal qual os países desenvolvidos, lamentavelmente. Se o povo brasileiro pensasse de outro modo, automaticamente teriamos um país tao honesto e integro. Acho engraçado, um tanto ironico, que o brasileiro adooooora reclamar do politico corrupto, mas esquece que este politico antes de tudo é membro do povo. Esquece que a politica de uma localidade é reflexo de seu povo e isso é assim em 100% dos casos. o Brasileiro reclama da corrupçao do governo, mas faz exatamente o mesmo no dia-a-dia, apenas em menor proporçao, que é o que lhe é viavel. Um povo que rouba a revista da sala de espera do consultorio dentario nao tem moral pra reclamar do Maluf. lamentavelmente.

  2. Ana

    18/jan/2014 at 2:22 PM

    Pra mim esse famigerado jeitinho brasileiro se resume numa simples expressão: desvio de conduta. Não é possível alguém achar que o tal ‘JEITINHO’ seja uma coisa positiva, haja vista o comportamento dos casais de brasileiros, Gente sem escrúpulo. Gente que envergonha nossa gente.

  3. Ricardo

    11/nov/2013 at 2:43 PM

    Quanta hipocrisia junta em um lugar só.

    Isso é a cara de um retrato pintado pela elite arcaica, e são esses tipos de pensamento que semeiam nos alienados o preconceito, a discriminação e o rancor velado por aqueles que não fazem parte do seu grupinho.

    Se vocês fossem metade do que acreditam ser, veriam o perigo desses pensamentos só em olhar para o passado e ver os nazistas, fascistas e outros tantos que dizimaram outros povos, simplesmente porque acreditavam serem MELHORES QUE OS OUTROS.

    Todo fanatismo cego é BURRO, espero que vocês algum dia aprendam isso.

    Vocês realmente acreditam que por serem canadenses eles são melhores do que nós? Eles só deram um pouco mais de sorte em nascer em um lugar desenvolvido politico-economicamente, mas como isso muda muito rápido, cuidado para não cuspir em um prato que possam vir a ter que comer nele.

    Quero ver sustentar toda essa dignidade no Zimbaue.

  4. izeldaleite

    15/out/2012 at 6:20 AM

    Muito bom,para dizer a verdade maravilhoso,meu filho fala muito das vantagens das condições das não violencia de se viver em outra dimensão,achava que tudo que tinha aqui tem em outro lugar.Só estou muito triste porque antigamente se ia para outro país para ficar rico hoje se vai para fugir de tudo que não presta.Um país maravilhoso como o nosso não pode ficar só,temos que lutar por ele e não apenas fugir.

  5. MARCO ANDRÉ BRIONES

    21/maio/2012 at 7:47 PM

    Parabéns pelo texto brilhante, abordando aquele que é o mal dos males no Brasil, o câncer que assola este país: o maldito “jeitinho brasileiro”. Enquanto ele for visto como algo engraçado, divertido e até mesmo, bem-visto, este país estará condenado a ser uma desgraça, com a impunidade, injustiça e desigualdade que imperam aqui desde 1500.

  6. Marcia Molinaro

    02/nov/2011 at 8:50 AM

    Que boa reportagem!!!! Tão bom, não precisar me sentir ridícula,ou rígida, como meus amigos falam, por gostar das coisas corretas, afinal: viver em sociedade é isso: se um perde, todos perdem…quando decidi imigrar para o Canadá foi para viver uma vida diferente…andar nas ruas sem medo…mas uma lição eu leverei de meus bisavós, que eram imigrantes também: Limpe os pés antes de entrar em casa, principalmente se você vai na casa de alguém. Detesto “jeitinhos”. minhas diretrizes para mim mesma e família: “Seja Feliz, mas faça o outro feliz também, e não adianta enriquecer sozinho…e, sua liberdade acaba onde começa a do outro.”

  7. Carlos Pommer Jr.

    15/out/2011 at 8:47 PM

    Mas o “jeitinho brasileiro” é há muito chamado “Lei de Gérson”, ou seja, levar vantagem em tudo. Não importando as consequências.

  8. Diego D Leon

    07/out/2011 at 10:29 PM

    Olá Bruno,
    Parabéns pelo texto muito bem escrito.
    Mas parabéns, principalmente, pelo tema.
    O tal “jeitinho” brasileiro é o “cancêr” do nosso país. Esta proliferado por todas as classes sociais e instituições. Políticos, leis e sistemas só refletem o que o povo é e faz.
    Precisamos nós, brasileiros de mente aberta, levar a mudança para o nosso país, nem que seja para dentro de nossas próprias casas.

    Até mais!

  9. LUA

    29/set/2011 at 9:00 PM

    Espero também que os que tenham a oportunidades de sairem do Brasil que dê bons exemplos aí fora, porque infelizmente o que ouvimos aqui é que a maioria dos que saem só fazem coisas erradas. Segundo uma reportagem que eu estava lendo outro dia,2 em cada 3 brasileiros que saem estão ilegais em outros páises fazendo Deus sabe lá o que. 3 em cada 5 mulheres que saem daqui , vão se prostiuir na Europa, e li também qua as mulheres brasileiras dominam a prostituição em vários países europeus e outras partes do mundo, Ave Maria.Isto é muito feio, Mas enfim temos é que dar bons exemplos de conduta e carater em qualquer lugar que escolhemos para ficar.

  10. Giovane

    26/set/2011 at 8:29 PM

    Gostei do artigo, bem escrito, bons exemplos, mas gostaria de ressaltar que nao e um privilegio nosso o gosto pela esperteza. Aqui em Vancouver, existe o jeitinho chines, filipino,iraniano e por ai vai. O numero de imigrantes de outras nacionalidades e tambem de canadenses que tenta burlar o sitema de transporte e enorme. Nas universidades , alguns professores estao sempre atentos aos newcomers que praticam plagio com os trabalhos e seminarios. Acreditem, o numero de brasileiros e minimo, ate porque nao somos numericamente significativos para mudarmos a logistica de um sistema inteiro. Ratifico que estou falando de Vancouver, uma cidade aonde o numero de brasileiros cai muito a partir de Outubro por causa da chuva e inverno a vista. Porem, a cidade continua com seus problemas. Mas tem razao o autor do artigo em seus argumentos. Eu finalizaria tendo em mente que somos um povo comprometido com a esperteza, violencia e falta de educacao, so quis argumentar que “felizmente” nao estamos sozinhos.
    Felicidade a todos.

  11. Bruno Henrique Aranda

    26/set/2011 at 4:54 PM

    Vompean,
    Meus parabéns pela sua neutralidade e vontade de contribuir para o progresso!

    Forte abraço!

    Bruno Henrique Aranda

  12. Ana

    26/set/2011 at 12:18 PM

    Olá,
    sabe o que é pior nisso tudo? É que esse tipo de gente está conseguindo imigrar para o Canadá. Estão saindo do Brasil se achando o máximo por terem sido selecionados num sistema pouco rigoroso e vão praticar essas atitudes vergonhosas por aí. Então o que tende a acontecer é o mecanismo canadense e a confiança nos cidadãos desaparecer e o país sofrer modificações no que tem de mais apreciável: a civilidade da população que se contaminará com a falta de caráter e de educação típica de pessoas medíocres que estão indo para o Canadá tirar vantagem da acolhida dada pelo governo. Digo isso baseada no que tenho visto, lido e ouvido, como por exemplo: os casais que imigram para que seus (assim eles acreditam) sejam sustentados pelo sistema canadense e pelos impostos dos cidadãos que não têm filhos. Mais uma vergonhosa maneira de tirar vantagem das situações.
    Parabéns pelo post. Acho importante levantar esse tipo de questão para que se pense um pouco na real intenção de alguém que resolve fazer uma mudança como essa e na capacidade de adaptação ou corrupção da cultura de um povo.

  13. ESTRELA

    25/set/2011 at 4:31 PM

    concordo com o Terecio aí em cima , o mal dos brasileiros que saem do Brasil é ficar falando mal, pois estes deveriam esquecer o Brasil.Afinal não fazem a menor falta aqui,pois tenho certeza que onde é que estão sempre serão tratados como ‘BRASILEIROS” em outras nação, O Brasil esta cheio de gente boa e honesta, que trabalham sério e que não usam de jeitinho nenhum para conseguir nada a não ser o trabalho, eu mesma sou uma delas. E me sinto incomodada a ler certos comentários, Acho que quem saiu daqui deve esquecer o Brasil e nunca mais voltar e nem lembrar daqui cortar de vez o laços.Pois o Brasil precisa de gente que esteja disposta a lutar e trabalhar por ele honestamente, amo o meus País. Brasil sempre.

  14. zuzu

    24/set/2011 at 9:38 PM

    Adorei o texto.
    Muito interessante sua visão sobre o “jeitinho brasileiro”. Acredito que há uma herança sim dos nossos colonizadores portugueses, mas concordo com outro leitor do seu blog, que é muito fácil culparmos eles e esquecermos do nosso papel na linha evolutiva.
    O Brasil tem muitos problemas, e acredito que só começarão a serem resolvidos quando esta mentalidade for modificada. Principalmente das pessoas que tem mais condições financeiras, como as que citou no texto, pois quem tem condições de viajar para o exterior, provavelmente tem um vida “boa” no Brasil se compararmos com a maioria da população.
    O que me deixa mais triste, é que seriam estas pessoas que deveriam começar esta mudança. Foi o que falou, basta um pouco de reflexão. Morávamos no RJ, é lembro muito bem quando os preços dos ingressos de shows e cinemas aumentaram muito devido a quantidade de pessoas que fraudaram as carterinhas. E isso continua até hoje. É importante refletirmos, já fiz isso e parei pois vi que as consequências seriam para todos, mas tenho muitos amigos que fazem isso até hoje.
    Não culpo somente os políticos e governantes pela situação atual do Brasil. Todos precisam começar a mudar a mentalidade para melhorarmos. Temos toda condição para fazermos isto. Estou em Montréal a 1 semana e observei que muitas pessoas também se aproveitam de certas facilidades por aqui, e não são brasileiros. A questão é que o ser humano não pode ver facilidade que pensa só nele. O Canadá vem conseguindo ao longo dos últimos séculos manter uma sociedade mais igualitária, espero que isto não seja perdido com a quantidade imensa de imigrantes aqui e que o Brasil caminhe para o nível do Canadá.
    Parabéns pelo texto!
    abs,
    zuzus

  15. petula

    19/set/2011 at 3:30 PM

    Estive em Praga recentemente e mesmo pessoas locais me recomendaram a não pagar o passe e tentar a sorte, porque lá também não há catracas. Não me parece um comportamento generalizado, mas acontece. Se há brechas, e ser humano é igual no mundo todo, há quem se aproveite.

  16. Nilson Coelho

    18/set/2011 at 9:10 PM

    Parabéns pelo texto, descreve bem o que é de onde veio e onde vai parar (Se é que vai parar), esse tal jeitinho Brasileiro.

  17. Marco

    17/set/2011 at 7:11 PM

    Parabéns! Incrível como vc consegui descrever o vergonhoso comportamento de boa parte de nosso povo! Não adianta tentar “tapar o sol com a peneira”… é assim mesmo, ainda moro no Brasil, que é um belíssimo e amado país, mas pelo resultado desastroso desse tipo de comportamento pessoas como eu querem ir embora daqui. Vemos o “jeitinho”exaustivamente, dia a dia, TODOS os dias, o governo assumiu a corrupção e dá o exemplo, os “zumbis”todos seguem… o Brasil torna-se mais triste a cada dia… S.O.S.!!!

  18. jussara franco coutinho

    17/set/2011 at 1:34 AM

    acho que essa questao,nao deve ficar nas costas de nossos antepassdos..onde fica a palavra evoluçao ?senao estariamos como os homens da caverna .parte disso devemos educaçao recebida em nosso lar .celula mater onde se cria pequenos ou grandes homens.meio dificil desaprender as boas maneiras que nossos pais implantaram quase a vida inteira em nossas mentes ,a nao ser que ‘eu’ NAO TENHOA MEU CARATER NATO.coisa que ninguem desarma dentro de quem já esta pronto ,para tomar atitudes certas, nas horas certas, em quallquer pais do mundo.questao de moralidade. em qualquer cargo. o certo sempre foi a melhor soluçao nao perde eu e nem ninguem nunca irei me enlamiar por causa de atitudes suja de ninguem.sempre ouvi meu pai dizer::onde passar deixe seu rasto brilhante,nao importa hora lugar,o naçao[.grande pai]

  19. Bruna

    16/set/2011 at 7:50 PM

    Parabéns Bruno!!
    São opniões como a sua que eu defendo aqui mesmo no Brasil!! sou uma das poucas que me esforço pra não usar o jeitinho brasileiro! … pelo menos tento né!?

  20. Cilei Silva

    16/set/2011 at 7:02 PM

    Um jeito que eu utilizo para combater o “jeitinho brasileiro’ é não utilizando-o, mesmo vivendo aqui no Brasil e sendo a todo tempo cercada por ele.
    Parabéns pelo texto!

    • izeldaleite

      15/out/2012 at 6:06 AM

      Achei,fantastico o assunto abordado, meu filho fala sobre os motivos de ir embora do Brasil.Mas achei que apenas era sonho de jovem ,pois sempre acreditei que esse jeitinho fosse mundial.É bom saber que existe um mundo melhor é triste saber que para se ter este mundo precisamos ver nossos jovens irem embora.

  21. Rosa da Silva

    16/set/2011 at 9:24 AM

    Estou no Brasil por somente alguns dias e já deu para relembrar este assunto e ficar indignada. Foi um dos motivos que me fizeram adorar viver no Canada. Quando ouço alguem reclamando que os Canadenses são inflexiveis, eu digo que prefiro assim do que o jeitinho brasileiro… Excelente texto!

  22. Eric Sobral

    15/set/2011 at 12:14 AM

    Simplesmente fantástico! Incrível como você conseguiu escrever exatamente o que eu esperava ler em cada parágrafo. Eu começava e você “advinhava” logo em seguida o que eu estava pensando. hahahaha

    Confesso que nunca gostei da “cultura do jeitinho”, mas no Brasil algumas situações meio que te forçam a acatar o jeitinho ou sofrer duras consequências (do tipo de não conseguir ser atendido em alguns meses). Como você disse, situação criada pelos próprios jeitinhos.

    Ao chegar aqui no Canadá confesso que tenho que ficar me policiando para não ser mais um dos quais você pode citar aqui no blog. Sou o único que realmente tento respeitar o sinal vermelho na rua: “Ah, mas não vem carro” justifica um amigo…

    Outro dia tinha uma promoção na HP: compre um notebook e ganhe um XBOX* (*apenas para estudantes). Na mesma hora eu liguei pra uma amiga estudante e pedi pra ela comprar no nome dela. Quando ela ficou de pensar a minha ficha caiu, isso era um baita jeitinho. Logo EU que critico tanto ele… Ainda bem que deu tempo de me arrepender e desistir antes de concretizar.

    Bom, é isso. Seu texto é muito bom e merece ser lido e refletido por todos (mesmo aqueles que nunca pensaram em imigrar).

    Abraços

  23. Terencio Trindade

    14/set/2011 at 7:29 AM

    Moro no Brasil e só fui assaltado duas vezes na minha vida. Uma vez em NY e outra em Toronto. As duas vezes por locais. Brasileiro fora do Brasil tem uma necessidade absurda de falar mal de seu país. Por isso que eu acho que estes brasileiros não fazem a melhor falta aqui na terrinha.

    • Wagner

      18/set/2011 at 4:53 PM

      …Pois é Terencio Trindade ( TT ), no mínimo os dois ladroes que te assaltaram deveriam ser brasileiros, dando “um jeitinho” de sobreviver de maneira mais “fácil”. Voce já pensou nisso?????

  24. Anderson Bestteti

    13/set/2011 at 11:57 PM

    Olá Bruno,

    Concordo plenamente com o seu pensamento. Felizmente tive a oportunidade de passar um mês e meio em Toronto para estudar Inglês. Não preciso nem comentar que fiquei maravilhado ao ver como os serviços públicos funcionam bem por aí, como as pessoas têm em mente o senso do uso comum dos serviços e infra-estrutura pública, e etc.
    Ainda em Toronto, percebi o quando a sociedade brasileira está contaminada pela infame lei de Gerson. Como você mesmo comenta, é um comportamento enraizado no nosso dia-a-dia, infelizmente.
    Ao voltar para o Brasil, fiquei muito revoltado com as péssimas condições que enfrentamos e, até hoje, fico me perguntando: por que não temos no Brasil a mesma qualidade de vida que os canadenses têm? A resposta: falta de investimentos em educação de qualidade.
    Penso todos os dias em fazer as malas e migrar para o Canadá com a minha esposa e filha de três anos. Pelo menos irei garantir que a minha filha tenha acesso a melhores condições de ensino e, conseqüentemente, viver em uma sociedade mais justa do que a nossa.

    Um abraço de Porto Alegre,
    Anderson Bestteti

  25. Lu

    13/set/2011 at 11:17 PM

    Espero que esses brasileiros “ispertos” como disse o Jose Bacellar já tenham voltado para o Brasil. Não precisamos deles por aqui. Foi pra sair desse círculo vicioso que muitos de nós saimos do Brasil buscando uma sociedade com mais respeito, em todos os sentidos.

    Atravessar fora da faixa (jaywalking) é um perigo – eu mais sinto isso como motorista, pois morro de medo de atropelar um apressadinho que resolveu sair correndo no meio da rua. Fora que se o motorista parar pra ele pode causar um acidente por para o carro no meio da rua, assustando o carro que vem atrás.

  26. Nestor Soares

    13/set/2011 at 6:48 PM

    Eh por essas e outras, que a corrupcao no Brasil eh endemica, ela comeca pela propria sociedade com o tal “jeitinho”. Achando que estao enganando o “sistema”, os brasileiros acabam no final sendo enganados pelos politicos que estao apenas dando um “jeitinho” no sistema…

  27. Renato Lacerda

    13/set/2011 at 11:14 AM

    Caro Bruno,

    Em primeiro lugar parabens pelo texto, muito bem elaborado e preciso.
    Eu tbem me questiono sobre o comportamento dos brasileiros e fico mais impressionado com o fato de conhecer pessoas que vivem no Canada a mais de 20 anos e ainda usam do jeitinho brasileiro como norma de conduta.Eu residi nos US e visito o Canada todos os anos e sei que para quem quer evoluir o primeiro passo e nao conviver com brasileiros,especialmente aqueles que usaram de vistos de turista e permanecem ilegais , porque estes mais do que nunca nao tem preparo educacional,emocional e comportamental adequado para entender e participar de uma sociedade coletiva que se preocupa com o que acontece a sua volta.
    Tudo isto iniciou com a colonizacao portuguesa que desde o inicio se preocupou em saquear, estorquir e corromper. O resultado disto e a vergonha de Pais chamado Brazil, onde ser honesto e cumpridor de obrigacoes e sinonimo de trouxa,onde o governo e formado por gangues de ladroes e psicopatas loucos por poder a qualquer custo.

    Um Pais onde as pessoas que usam os parques publicos, deixam o local repleto de lixo e acham isto normal talvez necessite de mil anos para se tornar uma sociedade descente. Eu nunca vou ver isto, nem tampouco meus filhos e netos. Se vc mora no Canada, nunca volte pois se vc fizer isto vai ser uma pessoa frustrada e infeliz vendo os absurdos que acontecem sem a minima penalizacao. No Brazil o crime compensa sim senhor. Vergonha!!!!!!!

  28. Fernando

    13/set/2011 at 11:06 AM

    Bruno, confeco que no comeco da sua reportagem eu fiquei um pouco bravo, pois literalmente eu aprendi a odiar o “jeitinho brasileiro”, pelo o fato que so nao leva a lugar nenhum como prejudica outras pessoas e a uma nacao.

    Quando eu vim para o Canada a 5 anos atras eu tinha esse jeitinho, pelo o fato de ter crescido em uma sociedade assim. Nao culpo nenhum brasileiro por isso. Hoje vejo que se pudermos mudar essa situacao no Brasil muitas coisas iriam ser favorecidas ao brasileiro.

    Quando eu cheguei a metade da materia eu fique mais calmo em saber que vc analisou o “jeitinho brasileiro” como um toldo. parabens. a materia auto explica com funciona a cabeca de um brasileiro, por mais que eles riem deles proprios (turistas).

    Me permita a colocar um exemplo de brasileiro que aprendeu a odiar o “jeitinho brasileiro”. Meu padrasto e dono de uma empresa no Brasil que contem em torno de 250 funcionarios e importa muito produto do EUA para a montagem de produtos finai no Brasil. Ha um tempo atras quando ele importou um container do EUA, o container foi barrado pela a Policia Federal e a carga nao era liberada de jeito nenhum. Entao o meu padrastro foi ate a PF para enterder o motivo. Tempos depois ele saiu de la MUITO furioso, pois em outras palavras os agentes queriam um extra para a “cervejinha”. Desde entao foi adicionado em os procedimentos da empresa. EH EXPRESSAMENTE PROIBIDO ACEITAR OU DAR SUBORNO. Depois de ouvir essa historia do meu padrasto me falou que o equipamento ficou sentado na PF ate que eles liberassem normalmente, coisa que aconteceu eventualmente.

    Poderia escrever muito mais coisa sobre “jeitinho brasileiro” mas fica aqui minha opiniao.

    Abracos.

    • leandro

      19/nov/2011 at 2:02 PM

      Fernando,
      Lamento informar que a policia federal não libera mercadorias….

      provavelmente é a receita federal. também não acredito que a receita retém mercadoria com documentação em dia….

    • Paulo

      20/nov/2011 at 11:22 AM

      Em resposta a Fernado de 13/9
      A PF não é responsável pela liberação de containers nos processos de importação, a RFB é. Se ouve real pedido de propina deveria ser denunciado a Corregedoria da PF, pq não é aceita tal conduta dos servidores.
      O jeitinho brasileiro de corrupção e imoralidade deveria ser banido da sociedade brasileira. No final a sociedade é sempre a vitima e maior culpada.

  29. Roberto Faria

    13/set/2011 at 1:17 AM

    Sensacional o artigo. Direto ao Ponto, embasado, e muito Bem escrito. Vale a reflexão!

    • Patricia

      15/set/2011 at 1:41 PM

      Muito bom seu texto,me fez lembrar que as vezes ficávamos ”quase”envergonhados quando amigos e familiares riam de comprarmos CDs e Dvds em lojas ao invés de piratear ou pior ainda comprar nos camelôs do RJ.
      Ficávamos sem saber como sair daquele constrangimento sem falarmos o que pensávamos realmente e acabarmos por ofender as pessoas. Concluímos então que não nos encaixávamos naquela sociedade e partimos(por essas e outras).
      Mas infelizmente também já presenciamos colegas brasileiros que vivem aquí no Canadá praticarem seus ”jeitinhos”em algumas situações.
      Cultura ou falta de cultura. Sempre me questiono.
      Parabéns mais uma vez por chamar ao velho assunto,quem sabe um dia isso muda?

Deixe um comentário

Continue lendo
Publicidade
Leia também...

Bruno é natural de Santo André (SP) e mora no Canadá desde 2007, onde estudou Filosofia e Criminologia na Universidade de Toronto até 2014. Mantém os blogs Enganos Mundanos e Conditioned Things.

Mais em: Cultura

Posts Populares

Topo

Canadá na Web – Assine de graça!

Uma seleção das melhores notícias e artigos da internet sobre o Canadá, criada exclusivamente para assinantes. Digite seus dados abaixo e fique por dentro.

Cadastro efetuado com sucesso!

Canadá na Web – Assine de graça!

Uma seleção das melhores notícias e artigos da internet sobre o Canadá, criada exclusivamente para assinantes. Digite seus dados abaixo e fique por dentro.

Cadastro efetuado com sucesso!

Canadá na Web – Assine de graça!

Uma seleção das melhores notícias e artigos da internet sobre o Canadá, criada exclusivamente para assinantes. Digite seus dados abaixo e fique por dentro.

Cadastro efetuado com sucesso!