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Título do Raptors é vitória da diversidade e inclusão

Pela primeira vez na história da National Basketball Association, a grande liga de basquete dos Estados Unidos mais conhecida pela sigla NBA, um time estrangeiro levou o título para casa. Mas o mais interessante é ver como o campeão, o Raptors de Toronto, chegou lá contando com o talento de gente de várias partes do mundo e virou assim um símbolo da imigração canadense.

Fundado em 1995, o Raptors é o time de basquete de Toronto, uma cidade em que os imigrantes representam 46% da população e em que mais da metade dos habitantes se identifica como Minoria Visível* (51.5%).

Talvez por isso se explique a multidão de dois milhões de pessoas que foram ver o desfile da vitória e as comemorações no centro da cidade. Afinal de contas, a equipe campeã representa de maneira marcante a mistura de raças, sotaques e tradições que faz da capital de Ontário um destino tão fascinante.

Masai Ujiri, presidente do Raptors desde 2013, por exemplo, nasceu na Inglaterra por acaso, quando seus pais estudavam por lá, mas logo voltou para o que é, de fato, sua terra, a Nigéria. E há mais africanos entre os jogadores: Pascal Siakam é de Camarões e Serge Ibaka nasceu no Congo, foi mais tarde para a Espanha jogar profissionalmente e acabou conquistando por lá, além de fama e prestígio, a cidadania espanhola que aliás, ele divide com Marc Gasol, que é o único branco da equipe, e que nasceu em Barcelona.

Há ainda uma lista grande de jogadores dos Estados Unidos e que se encaixam também no conceito de minoria visível. Jeremy Lin é um deles. Nasceu na terra de Tio Sam, mas seus pais são de Taiwan e ele fala fluentemente o mandarim.

Mas o maior número é de afro-americanos, como Kawhi Leonard, Kyle Lowry, Danny Green and Fred VanVleet, que é o que eles chamam nos EUA de “mixed race” – filho de pai negro e mãe branca. E, por fim, OG Anunoby, nascido na Inglaterra, filho de pais nigerianos e que cresceu em Missouri, nos Estados Unidos.

Chris Boucher é outro afrodescendente e talvez o mais canadense de todos porque, apesar de ser natural da ilha caribenha de St. Lúcia, ele chegou a Montreal quando tinha apenas dois meses de idade.

Tudo isso e ainda Nav Bhatia, um imigrante indiano reconhecido pelo próprio Raptors como “superfan”. Bhatia veio para o Canadá nos anos 80 e enriqueceu por aqui vendendo carros. Com seu turbante típico dos sikhs e seu sotaque forte, o torcedor é uma espécie de símbolo do time que ele tanto adora e tem dado palestras para jovens e crianças sobre diversidade, inclusão e respeito às diferenças. Enfim, a vitória do Raptors é mesmo um momento histórico para o país.


*Minoria Visível refere-se à pessoas, que não sejam nativos americanos, que não são de raça branca ou que não possuem pele branca. Refere-se a chineses, sul-asiáticos, negros, filipinos, latino-americanos, asiáticos do sudeste, árabes, asiáticos ocidentais, japoneses, coreanos; e outras minorias visíveis e minorias visíveis múltiplas.

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