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Cinema: Sarah Prefers to Run

Selecionado para o festival de Cannes de 2013, Sarah prefere correr mostra o dia-a-dia de Sarah (Sophie Desmarais), uma jovem moradora de Quebec City que resolveu largar tudo para entrar na equipe de corrida da universidade de McGill (Montreal) e continuar fazendo a única coisa que parece lhe dar prazer na vida: correr.

The Good

É um filme tão realístico que mesmo quem não gosta de correr (eu) sentirá afinidade e empatia pela personagem. Da metade pro fim, eu já estava tão conectado com Sarah que foi difícil não ficar tenso e ansioso para saber como terminaria.

Eu sou daquelas pessoas que quando o filme vai chegando ao final, começo a ficar com medo de me frustrar. Não foi o caso aqui. Não pensaria em uma alternativa melhor.

Quando soube que o filme teve orçamento de $1.2M, levei um susto. Em momento algum você nota que ele foi prejudicado por isso. Mérito da direção (Chloé Robichaud) que usou e abusou de técnicas para focar nossa atenção em Sarah e seus dilemas. Algumas cenas, como ela tomando banho rodeada de outras mulheres, são brilhantes. É o tipo de filme que nem te trata como idiota por explicar tudo mastigadinho e nem faz o contrário te obrigando a assistir diversas vezes para captar algo.

Na parte da trilha sonora, notem na reta final como ela é competente para te fazer sentir o que Sarah estaria sentindo naquele momento. É legal notar esses pequenos detalhes que podem transformar uma cena meh em uma uau!.

The Bad

É um filme que se propõe apenas em mostrar que Sarah prefere correr. Ela é uma personagem interessante o suficiente para eu querer me aprofundar mais em seus problemas de família e de sexualidade. Sei que o foco não era esse, mas não tenho como deixar de ser curioso quando me interesso pela vida de alguém. :)

O filme se passa em Quebec City e Montreal e são raras as cenas em que você pode curtir as paisagens dessas duas belas cidades. Se sua intenção era essa, esquece esse filme.

The Prolix

Uma reflexão legal que o filme me gerou foi a questão do amor que você tem em fazer algo. Sarah ama correr e não consegue pensar outra coisa em que ela seja boa ou queira fazer na vida. Mas quando ela é questionada sobre seu futuro, responde algo como: “Eu sei que você espera que eu responda que meu sonho é ir pras Olimpíadas, mas não penso nisso. Eu amo correr e é isso que quero continuar fazendo”. Isso me fez lembrar de algumas vezes que ouvi alguém me perguntando se eu queria ser isso-ou-aquilo baseado em coisas que eu gosto ou gostava muito de fazer.

Vivemos em um mundo com excesso de cobrança de expectativa. E talvez isso acabe desmotivando e gerando frustração em muita gente. E se Sarah não for boa o suficiente para o nível olímpico? Pra que cobrar dela essa expectativa?

Eu gosto muito de ver filme, escrever sobre, tirar fotografias, tocar piano, atuar (teatro) e cantar. Pra que preciso ficar me perguntando se algum dia serei cineasta, fotógrafo, ator, crítico de cinema ou músico? Se me fizer essa pergunta, automaticamente iniciarei o processo de comparação e chegarei à óbvia conclusão de que “não tenho futuro”, ”não sou bom o suficiente”, entre outras frases autodestrutivas…

Em resumo, sigamos o conselho da Nike e Johnnie Walker: Just Do It e Keep Walking.

Enfim…

Um filme despretensioso que acabou me surpreendendo por conseguir me fazer sentir na pele o drama de sua personagem principal. Indicado.

Clique para assistir ao trailer.

Diogo Lopes mora em Toronto e aproveita seu tempo "livre" de TTC para assistir e escrever sobre filmes para seu site pessoal de cinema. No OiCanadá, escreverá sobre filmes canadenses que valem a pena ser vistos.

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