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Viajando com um Pet

Eu nunca me considerei uma cat person, sempre fui mais chegado a cães. Mas minha esposa, Fernanda, tinha muita vontade de ter um gatinho e, um belo dia, resolvi fazer-lhe uma surpresa. Na volta da academia para casa fiz um caminho pelo qual “acidentalmente” passamos em frente a uma Pet Shop com gatinhos para adoção. Paramos para olhar e ali apareceu uma bolinha de pelos minúscula que mais parecia um ratinho. Foi assim que conhecemos o Billy, e uma semana depois ele veio morar conosco. Hoje eu sou amante de gatos assumido e o Billy é mais do que um animal de estimação, para nós ele é família.

Quem tem um pet com certeza divide o mesmo sentimento. Por isso, quando decidimos mudar para o Canadá, sequer cogitamos a hipótese de deixá-lo no Brasil.

A verdade é que ele faz a gente se sentir mais em casa, num lugar onde tudo é diferente. Mas, trazê-lo conosco dificultou bastante a mudança e aumentou um pouquinho o custo da viagem. Principalmente para encontrar hospedagem pet friendly, como você pode conferir nessa outra matéria Como alugar uma casa ou quarto em Toronto estando no Brasil.

Para viajar com um animal de estimação, as regras mudam de país para país. No caso do Canadá, animais domésticos são admitidos com algumas restrições. Você pode conferir nesse link o que é necessário para que seu amiguinho venha com você.

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Primeiro de tudo, o Billy precisou ter “passaporte”, um documento chamado Certificado Zoosanitário emitido pelo Ministério da Agricultura que comprova que seu animal está em boas condições de saúde para entrar no país de destino e que não causará uma epidemia.

Para obter o CZ, o Billy precisou pegar um atestado da veterinária, com seu nome, espécie, raça, gênero, idade e cor da pelagem. O dados do proprietário também são exigidos: nome completo, número do passaporte, endereço de residência no Brasil e telefone para contato. O atestado precisa estar carimbado e assinado por um médico veterinário com CRMV válido.

Com o atestado em mãos, tive que passar na agência do Ministério da Agricultura que, em São Paulo, fica no próprio aeroporto de Guarulhos.

É necessário agendar com antecedência um horário e levar o atestado, a carteira de vacinação, dados da passagem e seus documentos. Parece simples, mas a verdade é que eles recebem os documentos na parte da manhã e o certificado fica pronto somente na parte da tarde. Por conta dessa “burrocracia”, tive que ficar seis horas esperando no aeroporto o bendito documento ficar pronto.

Para reservar a passagem do Billy, foi necessário ligar para a Air Canada e avisar que ele viajaria conosco. É importante fazer isso o mais cedo possível, pois a companhia somente permite um animal por passageiro e no máximo dois por voo.

Tivemos que comprar uma sacola de transporte para ele com medidas específicas. Isso porque animais pequenos vão embaixo do banco, onde normalmente colocamos mochilas, e eles contam como bagagem de mão. Me lembro que foi um parto encontrar uma sacola com as medidas exigidas que não custasse um absurdo. Após muita pesquisa na internet, e muitas visitas a lojas, encontramos uma com um valor razoável.

Ao fazer o check-in tivemos que pagar uma taxa de embarque (aproximadamente cem dólares americanos), ele passou pela máquina de Raio-X, comeu um pouquinho e quando a movimentação do embarque na aeronave começou, ficou assustado e resolveu dormir.

Chegando ao Pearson International Airport, foi necessário apresentar os documentos dele e pagar mais uma taxa de entrada no país, de cerca de trinta dólares canadenses. O oficial da alfândega deu uma olhada rápida, achou que ele estava bem e que não seria necessário quarentena.

Cerca de dezessete horas depois de sair de nossa casa em São Paulo, o Billy chegou ao hotel, e finalmente pôde se aliviar. Acontece que ele é muito educado e mesmo eu tendo levado tapetes higiênicos e tentado fazer com que ele se aliviasse no avião, ele só faz suas necessidades na caixa de areia. Portanto, para ele a viagem foi bem traumática, tanto que, para mudar de casa, ele não queria voltar para a sacola de jeito nenhum.

Passado o sufoco, ele está adorando viver aqui também. Fica olhando os esquilos no quintal, os passarinhos e os outros gatos da vizinhança. Até arrumou uma namoradinha! Ela vem todo dia visitar e eles ficam se olhando através da janela.

Billy e a namorada

Billy e a namorada

*As regras para a viagem com animais de estimação estão constantemente mudando. Atualmente o CZ é chamado CVI (Certificado Veterinário Internacional). Confira no site do Ministério da Agricultura quais são os documentos necessários antes de viajar, para garantir que você tenha tudo o que for necessário e consiga evitar surpresas.

Maurício Marcondes

Mauricio é paulista, natural de Guaratinguetá, formado em Marketing pela ESPM de Sao Paulo com especialização em Coordenação de Eventos Corporativos. Com mais de 10 anos de experiencia em produção de eventos no Brasil, se mudou para o Canadá no final de 2013 e atualmente reside em Mississauga, na GTA, e está se adaptando à vida canadense.

2 Comentários

2 Comments

  1. Ana Paula de Freitas Santana

    07/Maio/2014 at 12:47

    Olá tudo bem ? Vou levar meu gato pro canadá e li suas dicas o atestado q o veterinário vai fazer é em português mesmo ? O CZI que é emitido pela agricultura é em inglês ? Qdo vc levou seu gato ? Vi no site da agricultura as regras não mudaram ainda ….

  2. Conceição Patara

    15/abr/2014 at 17:38

    Adorei sua reportagem. Além de útil está interessante e descontraída, o que estimula a leitura. Vc conseguiu deixar divertido até o trauma do Billy. Parabéns!!!!

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